Um fator determinante para a precisão dos contra-ataques iranianos contra bases dos Estados Unidos no Oriente Médio seria o suporte tecnológico da China. De acordo com o general Costa, o acesso iraniano à constelação de satélites chineses BeiDu permitiu ataques cirúrgicos contra instalações logísticas dos EUA, neutralizando parte da superioridade situacional que Washington costuma deter. Além disso, a tática de utilizar drones e mísseis de gerações anteriores para saturar e esgotar os estoques de defesa aérea de Israel (como os mísseis do sistema Domo de Ferro) sinaliza que o Irã ainda preserva seus armamentos mais potentes, incluindo mísseis hipersônicos.
A mobilidade da marinha iraniana também se mostrou um obstáculo imprevisto. Embora os navios de grande porte tenham sido os primeiros alvos de Israel e dos EUA, Teerã mantém o controle do Estreito de Ormuz através de uma vasta frota de lanchas rápidas equipadas com lança-mísseis. Essas embarcações são difíceis de detectar e eliminar, garantindo ao Irã o poder de estrangular o comércio global de petróleo e pressionar as economias ocidentais. Em resposta, Trump declarou que a Marinha e as lideranças iranianas “acabaram”, afirmação que o general Agostinho Costa classifica como possível “bravata” diante da resistência observada em campo.
No campo diplomático, as versões são contraditórias. Enquanto Trump alega que o Irã implorou pelo retorno às negociações e que agora seria “tarde demais”, o governo iraniano nega qualquer intenção de diálogo. O impasse militar é agravado por alertas internos no Pentágono — citados pela imprensa americana — sobre o risco de falta de munição em caso de uma guerra prolongada. Com as bases terrestres dos EUA na região operando de forma limitada, as operações aéreas tornam-se logisticamente complexas, dependendo exclusivamente de porta-aviões e bases distantes, o que dá ao Irã fôlego para manter a estratégia de desgaste.
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